MONSÃO

MONSÃO

“Perde-se no escuro das lendas, a sua fundação primitiva; aos Iberos a attibuem algunns 2104 annos antes de Christo; e de Bacho, filho de Semole, se diz que, aportando a esta parte da Lusitania 1374 annos antes da nossa era e encontrando em ruinas a povoação, a reedificára, dando-lhe o nome grego de Orosion, que significa Monte Santo.
Os celtas a teriam ocupado 404 annos antes de Christo, mudando-lhe o nome para Obobriga, que os romanos na era 78 de Cesar a seu turno trocaram pelo de Mamia ou Mamea. De antigos escriptos consta, que era importante a povoação romana assim designada.
Mas, expulsos os romanos, Hermenerico, rei dos suevos, restitui-lhe o seu antigo nome de Orosion – Mons Sanchus – de facil transformação na palavra actual.
Póde ser que assim fosse, mas é provável que o nome de Mons Sanchus lhe fosse imposto pelos romanos, ou por versão do antigo nome grego, ou porque néstes logares houvessem constituido algum templo.
Alguns querem Cortes, ou Monsão Velho: esta hypothese é, porém, refutada por outros, que dizer ser a antiga

Orosion no sitio da actual, sendo o ponto das Cortes apenas um aquartelamento ou especie de posto avançado d’algumas cohortes romanas. O que sae já do nebuloso e inverosimil é, que em 1093 Monsão ficou fazendo parte do território da monarchia portugueza e que em 1260 Affonso III extinguindo a villa de Badim, com os seus moradores e outros da Pena da Rainha, fundou no então Couto de Mauzedo a villa actual, à qual deu muitos e grande privilegios pelo foral de 12 de Março de 1261. D.Diniz mandou edificar o castello e muralhas, de que hoje se encontram ainda vestigios na cortina que passa por baixo do convento dos Nerys, e D.João I e D.João IV accrescentaram, cada um na pocha, diveros trabalhos de fortificação, ficando então a fortaleza com as portas de Salvaterra , Rosa, das Caldas, do Sol, e ainda com as de S.Bento, desde muito obstruidas a pedra e cal.
Monsão tinha assento em côrtes no banco decimo e o titulo de mui nobre e leal. O seu brazão d’armas representa – em campo branco uma torre, de cujo alto sae um vulto de mulher (em meio corpo) tendo um pão em cada mão e em volta esta legenda: DEUS A DEU – DEUS O HA DADO.”
in Monção, em “O Minho Pittoresco” de José Augusto Vieira

MONSÃO GIN,
A LENDA

No século XII, a região do Minho foi discretamente habitada por britânicos. Fruto desse povoamento, reza a lenda que, em meados desse século, Orosion Valdriver, um luso-britânico, filho de um dos maiores mercantes de bacalhau e proprietário das “Águas de Valadares”, em Monção, cresceu e viveu na Quinta dos Picoutos, situada nos arredores dessa vila. Um jovem astuto e bom vivant que, desde cedo, compreendeu a importância do cultivo das vinhas de Alvarinho, para as famílias monçanenses, tendo ficado conhecido pela sua proeza na defesa deste ex-líbris.
Enquanto assistia à tentativa de destruição da última plantação de Alvarinho existente em Monção, na Quinta dos Picoutos, por parte de Owl Land, um poderoso mercante que era detentor de uma herdade já extinta no Lugar dos  Crujos e da maior plantação vinho tinto da região, situada em Podame, Orision Valdriver decidiu traçar um plano.
Para deitar por terra a ação maquiavélica de Owl Landa, Orosion, juntamente com o seu irmão, Henry Valdriver, que geria uma espécie de destilaria em Fhamelicam (Vila Nova de Famalicão),

decidiram produzir uma bebida única e desconhecida. Desta, apenas se sabe que era feita à base de Essência de Alvarinho, Água de Valadares e uns quantos Botênicos da Região – uma receita que se manteve guardada, ao longo dos séculos.
Após produzida esta bebida foi distribuida aos cultivadores da Quinta dos Picoutos, que já se estavam a preparar para o pir, visto que Owl Land tinha a seu cargo um número elevado de empregados, sempre munidos de armas bélicas, e neste caso produtos para dar a golpada final.
Os cultivadores espalharam estrategicamente os barris da referida bebida, ao longo da plantação, de forma que o próprio Owl Land e seus empregados e dedessem, antes de prosseguir com as suas intenções. E foi então que, a 30 de julho de 1241, se deu o milagre! Owl Land bebeu, degustou e disse que destruir aquela plantação seria cometer um dos maiores crimes, bem como, privar a humanidade de se deliciar com o que a melhor das castas tem para dar.